Medalhas e coquetéis compram DEPUTADOS, sua boa vontade, votos e a manutenção de privilégios? Será mesmo?

Medalhas e coquetéis compram boa vontade, votos e a manutenção de privilégios

Ao entrar na organização militar o parlamentar é recebido com banda de música, presentes, brasões militares e – não pouco freqüente – uma bela comenda militar. Coquetéis luxuosos, camarões gigantes e taifeiros educados também impressionam.

Ao final do evento o deputado – impressionado com tanta educação, tanta consideração, tantos elogios, tanto reconhecimento do seu poder – recebe uma palavrinha ao pé do ouvido: “deputado, sabemos do seu patriotismo, por isso as Forças Armadas contam com o sua boa vontade para aprovação dos projetos que ajudam os militares a dar sua contribuição para o país”.

No dia seguinte logo cedo o parlamentar é peitado nos corredores do CONGRESSO por um grupo de homens de meia idade, barrigudos, com ternos baratos, sapatos surrados e linguajar pouco cortês – todos falam ao mesmo tempo, erram as palavras, não falam os s dos plurais. Dizem que “a” PL 1645 é um assalto aos bolsos dos militares de baixos postos e graduações.

Caminhando ainda atrás dele no corredor estreito os sargentos tentam explicar que o Exército não quer considerar os 30 anos de trabalho duro e agora concede aumentos desproporcionais só para quem ocupa o topo na escala hierárquica, esquecendo-se da reserva e até de alguns militares da ativa. Os homens, que fizeram questão de dizer que votaram nele, dizem ainda que os generais querem conceder somente para si mesmos uma gratificação de representação que os alcança até na reserva, mesmo que todos os militares tenham a obrigação de representar bem as forças.

A mente do parlamentar embaralha um pouco.

Mas, logo conclui que são militares indisciplinados, gente que não merece crédito. “e ainda disseram que votaram em mim! Como se tivesse obrigação de atende-los!”, pensa.

“Onde já se viu militar fazendo política, perseguindo parlamentares dentro do Congresso Nacional?” Questiona em sua mente. Ele não percebeu que a medalha que recebeu no dia anterior nada mais foi do que uma ação política por parte dos generais. 

A visita de coronéis e outros oficiais para lhe explicar um projeto de lei de interesse da defesa também foi uma ação política. A única diferença é que estavam bem vestidos e levaram uns livros bem bonitos para lhe dar de presente. Mas ele não atenta para isso, ficou impressionado com todas aquelas estrelas, bandeiras, cornetas tocando, espadas reluzindo.

Na infância ele sonhou ser um militar, um oficial.

Ele pensa, olhando a medalha novinha, ainda na mesa: _Agora sou quase um oficial, até tenho título de grande oficial da ordem da medalha que recebi… Como é o nome mesmo dela? O que será que significa esse desenhinho que tem nela? 

Eu não vou ser influenciado por ninguém, nada vão afetar minha visão justa sobre esse assunto, esses sargentos querendo me convencer de que o projeto está errado.

Eu sou um homem que vem da pobreza, mas sei valorizar homens capazes e educados. Não poderia um homem chegar até o posto de general e estar a tentar burlar seus subordinados. “eles o obedecem com tanta consideração e afinco!”, pensa. “se fosse um mal caráter não estariam ali tão sorridentes e felizes… teve uma hora que todos riram da piada”, lembra…  “do general ao sargento… todos se amam naquele lugar”.

Recebido de colaborador

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